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Fevereiro 2007   
Mercado de seguros cresce 13,31%


      O volume de prêmios emitidos no mercado de seguros somou R$ 34,859 bilhões no ano passado, crescimento de 13,31% na comparação a R$ 30,797 bilhões do ano anterior, segundo levantamento da consultoria Castiglione Business, com base em dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O valor não inclui o resultado de seguro saúde, ainda não divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Apesar do forte aumento, o mercado cresceu abaixo dos 14,4% do ano anterior.

      Analistas afirmam que o pequeno arrefecimento foi provocado principalmente pelo aumento da concorrência entre seguradoras de automóvel no segundo semestre do ano passado. O resultado foi considerado, contudo, positivo pelos especialistas. O crescimento de 13,31% ocorreu com o reajuste de preços de diversas modalidades de seguros e a redução das despesas administrativas, fatores que contribuíram para melhorar o índice combinado (medidor da eficiência operacional) das empresas.

Lucro em alta

      Esses fatores contribuíram ainda para o aumento do lucro líquido das seguradoras, ainda que boa parte desse resultado tenha origem em aplicações no mercado financeiro. A AGF Seguros registrou lucro líquido de R$ 69,050 milhões em 2006, alta de 21,6% frente aos R$ 56,8 milhões de 2005. Já Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 460,2 milhões, crescimento de 50,9% em relação ao ano anterior. A SulAmérica ainda não divulgou seu balanço, mas o presidente da empresa, Patrick Larragoiti Lucas, confirma o ano positivo e lembra que o crescimento foi três vezes superior ao Produto Interno Bruto (PIB) do País.

      "O ano passado foi excelente, com crescimento muito positivo e forte. De modo geral, a redução da taxa de juros foi uma das razões de o mercado segurador ter apresentado resultado favorável. Um exemplo prático disso é o seguro de automóvel. A queda dos juros aumentou a venda de veículos novos no Brasil e, como conseqüência, o volume de seguros", afirma o executivo, explicando que esses ganhos cobririam as perdas das seguradoras nas aplicações em títulos do Tesouro Nacional.

      O seguro obrigatório de veículos (DPVAT) foi um dos segmentos que mais contribuiu para o crescimento do mercado no ano passado. Ele sofreu reajuste de até 43% para recomposição das reservas técnicas do ramo. O segmento cresceu, portanto, sua participação na produção do setor de 6,34% para 8,32% no ano passado, resultado de aumento dos prêmios emitidos de R$ 1,952 bilhão para R$ 2,901 bilhões. Excluindo essa modalidade obrigatória, o mercado cresceu nominalmente 10,8% em 2006.

Automóveis

      O seguro de automóveis representou, contudo, a maior fatia do mercado. Foram R$ 13,281 bilhões em prêmios emitidos, crescimento de 9,99% frente aos R$ 12,074 bilhões do ano anterior. Ele foi seguido pelo seguro de vida, com R$ 6,223 bilhões. Os riscos de crédito apresentaram prêmios de R$ 2,083 bilhões, os riscos de transportes movimentaram R$ 1,554 bilhão e os riscos de acidentes pessoais, mais R$ 1,381 bilhões. Outros riscos como residenciais, rurais e habitacionais apresentaram crescimento.

      A taxa de sinistralidade (sinistros pagos sobre prêmios ganhos) do mercado permaneceu em trajetória de queda: passou de 58,57% em 2005 para 55,14% em 2006. O seguro para automóveis foi um dos principais responsáveis pela queda da sinistralidade média do mercado. A modalidade apresentou taxa de 63,35% de sinistralidade no ano passado, frente a 68,84% no ano anterior. Apesar da guerra de preços no final do ano, o segmento reajustou preços no primeiro semestre e foi beneficiado pela redução de roubo de veículos.

      Segundo Sérgio Augusto Kurovski, gerente da área de seguros do Banco do Brasil, o desempenho da Brasilveículos (braço de seguros para automóvel da instituição) foi um dos principais destaques do ano passado do setor de seguros do banco, crescendo inclusive acima da média do mercado. "O prêmio retido cresceu 14,08% no ano passado, enquanto o mercado cresceu 10,07%", diz o executivo. "Nossa taxa de sinistralidade também ficou abaixo do mercado, em 60,1%, resultado de uma queda de 7,7 pontos percentuais.”

      O analista em renda variável da Unibanco Corretora, Carlos Macedo, diz acreditar que o mercado não promoverá novos reajustes neste ano, diferentemente do ano passado, e que provavelmente não caminhará para uma guerra de preços. "As empresas estão muito capitalizadas, depois dos altos lucros registrados no ano passado, mas não haverá guerra de preços. Elas devem ficam mais cautelosas por causa da capitalização necessária pelas novas regras de margem de solvência.”

      De acordo com a Susep, o mercado de seguros deverá receber investimentos de R$ 6 bilhões nos próximos cinco anos. Nesse período, a superintendência espera um incremento de 47% no volume de prêmios e aumento para até 5% da participação do mercado no PIB brasileiro. A abertura do mercado de resseguros será responsável por parte deste crescimento, já que criará um ambiente competitivo, com aumento de tecnologia e grande aporte de capital no setor.

Fonte: Cqcs

De Olho nas Notícias é uma publicação periódica do SINCOR-PR. Presidente: Artur Oscar Nogueira Hoff. Conselho Editorial: Deniz Pacheco de Carvalho, Mauro Iplinski. Jornalista: Cristiane Varela. Desenvolvido pelo Sincor - PR

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