Um ano após as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o mercado segurador brasileiro registrou um recorde histórico em contratações, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) divulgados pela Folha de S.Paulo. Apesar dos prejuízos causados pela catástrofe, o setor teve saldo financeiro positivo, impulsionado pela maior percepção de risco por parte da população.
Em 2024, os brasileiros contrataram R$ 436 bilhões em seguros — um crescimento de 12% em relação a 2023, excluindo planos de saúde. Segundo a CNseg, trata-se do maior volume já registrado, tanto em valores nominais quanto reais, considerando a inflação.
“Ficou essa maior percepção, o maior interesse das pessoas em geral, sobre como se precaver e como lidar com esse tipo de situação”, afirmou o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira.
As indenizações pagas em 2024 somaram R$ 243 bilhões, alta de 10% em relação ao ano anterior. Somente os eventos no Rio Grande do Sul geraram R$ 6 bilhões em pagamentos de sinistros, com mais de 57 mil registros.
Mesmo fortemente atingido, o estado também teve aumento na contratação de seguros. Em 2024, os gaúchos contrataram R$ 31 bilhões em apólices — crescimento de 5,7% frente ao ano anterior. No segundo semestre, o ritmo no estado superou a média nacional em quase todos os segmentos.
Os maiores avanços ocorreram em seguros patrimoniais (16,3%), de pessoas (16,2%) e coberturas de vida (15,6%). O destaque ficou com segmentos como transportes (19,5%), riscos financeiros (28,3%), garantia estendida (19,2%) e seguros marítimos e aeronáuticos (61,6%).
Já no primeiro bimestre de 2025, chamou a atenção a alta de 51,9% na contratação de seguros habitacionais no estado. Ao todo, o volume de prêmios arrecadados foi de R$ 4,9 bilhões — patamar semelhante ao do início de 2024, antes das chuvas.
Apesar da aceleração no setor, a CNseg observou uma retração de 9,8% na previdência privada no Rio Grande do Sul, frente à queda de 2,7% registrada nacionalmente. “Isso mostra que as famílias [do RS] ainda estão com suas finanças comprometidas”, avaliou Oliveira.
Segundo o presidente da CNseg, a tragédia revelou a necessidade de modernizar o sistema de análise de riscos. A entidade trabalha na criação de um hub de dados climáticos, para aprimorar o cálculo de apólices frente ao avanço de eventos extremos. “É muito importante compreendermos que o risco climático mudou”, afirmou. “A grande dificuldade hoje é entender o dado climático”.
Oliveira destacou ainda que o país não está preparado para lidar com desastres naturais e propôs a criação de um seguro social de catástrofe, que permitiria indenização emergencial de R$ 5 mil por moradia afetada. O modelo seria financiado com uma taxa mensal de R$ 2 a R$ 3 em contas de serviços públicos, com isenção para beneficiários de programas sociais.
Outra proposta da entidade é a ampliação do seguro rural para operações de valores menores, a partir de R$ 100 mil, abaixo do limite atual coberto pelo ProAgro, do governo federal.
O volume de pedidos para pagamento de indenizações de seguros relacionados à enchente no Rio Grande do Sul mais que dobrou entre maio e junho. Dados do segundo levantamento elaborado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) junto às suas 150 associadas mostram que os pagamentos solicitados às seguradoras atingiram R$ 3,885 bilhões, valor R$2,2 bilhões a mais do que o divulgado em 24 de maio, quando os registros somaram R$ 1,673 bilhão.
Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, os números mostraram um crescimento frente aos dados divulgados em maio, mas que ainda não é o número final de indenizações a serem pagas. “Esperávamos que houvesse um crescimento considerável nas indenizações e esse número deve continuar crescendo nas próximas semanas, inclusive porque as chuvas voltaram a cair no estado”.
Em coletiva de imprensa, realizada em 19 de junho, questionado sobre um possível impacto negativo no setor, o presidente da CNseg destacou a capacidade financeira da empresa e ainda esclareceu que esses eventos climáticos, como o vivenciado no estado gaúcho, têm um efeito duplo. “Por um lado, podemos ter uma redução de contratos no Rio Grande do Sul em função do impacto direto nas pessoas e empresas do Estado. Mas, por outro lado, podemos ter um crescimento da procura em outras regiões em função do alerta que fica para a necessidade da contratação de seguros.”
Em quantidade, as seguradoras associadas à CNseg registraram 48.870 pedidos de sinistros, alta de 108% em relação à divulgação anterior que foi de 23.441.
As solicitações realizadas pelo setor agrícola foram as que mais avançaram em relação ao primeiro levantamento. Com alta de 284%, até agora foram 2.215 pedidos de indenizações somando R$ 181,7 milhões.
Já em termos absolutos, Grandes Riscos aumentou em R$ 815,2 milhões de um mês para outro, alcançando pagamentos de R$ 1,32 bilhão, sendo até agora o que registrou o maior volume de indenizações. Já são 599 sinistros avisados.
Na sequência, aparecem os avisos relativos a automóvel com pouco mais de 19 mil pedidos, totalizando R$ 1,27 bilhão em pagamentos a serem feitos.
Já estão abertas as inscrições para o Congresso Sul Brasileiro de Corretores de Seguros (BraSeSul), o grande evento do mercado de seguros deste ano, que reunirá em Florianópolis, dias 19 e 20 de julho, Corretores de Seguros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O evento será realizado no Centro Sul Convenções. Com o tema “Caminhos, Alternativas e Soluções”, todas as palestras e painéis estarão voltados aos avanços tecnológicos da atualidade, às novas opções de atuação no mercado, que tenham o objetivo de proporcionar a melhoria da relação com seus clientes. A comissão organizadora do BraSeSul trabalha intensamente para a realização do evento.
O presidente do Sincor-PR, José Antonio de Castro, explica que reuniões têm ocorrido periodicamente com o objetivo de montar um programa com palestrantes de alta qualidade. “Queremos proporcionar aos participantes um quadro detalhado da economia e, em particular, do mercado segurador brasileiro”, ressalta. Castro ressalta que o objetivo do evento é reunir os Corretores de Seguros dos estados do Sul, num evento de grande porte, proporcionando a integração da categoria com a troca de informações e conhecimentos. “Nosso propósito é com o BraSeSul levar atualização profissional e fortalecer o relacionamento com o mercado segurador”, destaca. A realização do BraSeSul é do Sincor-PR, Sincor-SC e Sincor-RS, com apoio da Fenacor e da Escola Nacional de Seguros. Para saber mais sobre o BraSeSul http://www.toindo.com.br/brasesul2018/.